A criança estava observando um galho seco que balançava pendurado na margem do rio e perguntou: pai, por que o galho balança? Ele tem energia própria? Vai e volta porque quer, ou alguém o obriga a voltar?
O pai ficou pensativo com a pergunta – não exatamente com o que poderia explicar - mas o filho era ainda muito pequeno para se preocupar com esse tipo de coisa. Ele deveria estar subindo em alguma árvore para pegar algum fruto e não ficar querendo saber por que o galho balançava ! Olhou para ele então, e disse o seguinte: meu filho, a vida é um eterno ir-e-vir. Veja o sol! Ele vem pela manhã, e vai embora antes do anoitecer. No outro dia, faz a mesma coisa. Os pássaros saem de seus abrigos todos os dias também, e voltam para eles ao anoitecer. É como se fosse uma lei do universo, que nós não podemos mudar, e devemos aceitá-las como tal. O filho olhou para o pai, mas não estava muito convencido. E voltou a perguntar: mas por que eu vou a algum lugar e ninguém me obriga a voltar de onde eu vim? O pai, outra vez respondeu: você não é “obrigado” a voltar porque você volta “naturalmente”, obedecendo a lei. Ela atua em você, mesmo que você não perceba! O filho não se convencia: mas por que as pessoas morrem e não voltam mais? O pai explicou: voltam sim, elas retornam como bebês, para cumprir suas missões outra vez. É um ciclo também. Vamos chamar isso de “lei do retorno” ou “princípio do pêndulo”. É exatamente o que você está vendo acontecer com o galho balançando. O galho pendurado é um pêndulo também. Ele não se parece nada com um cristal na ponta de um fio, mas a idéia é a mesma! O princípio funciona da mesma forma. Quando você empurra um peso pendurado numa corda ela voltará com a mesma intensidade que você o empurrou. Se usar muita força, o peso voltará com ela e você poderá ter problemas. Melhor seria que avaliasse o que vai fazer antes que a força se volte contra você mesmo. A natureza também tem limites e leis rigorosas! Precisamos conhecer estes segredos para saber com usá-los a nosso favor; e não exatamente “contra” nós !. Não devemos inventar leis ou estabelecer limites que não estejam dentro das leis e dos limites da natureza. Se fizermos isso, mais cedo ou mais tarde, o pêndulo se voltará contra nós com a mesma “violência” com que o empurramos. Por isso devemos ser gentis com a natureza e ela será gentil conosco, devolvendo-nos a graça que nós lhe oferecemos. Se a desafiamos, ela responderá desafiadoramente também. A natureza nunca é ruim, é apenas uma conseqüência natural da lei, Se você for agressivo com a natureza ela não responderá com agressividade, ela responderá com a aplicação de suas leis próprias - mesmo que isso cause muitos sofrimentos para nós humanos. A natureza não tem esse sentimento de fazer sofrer algo. Ela apenas usa as regras que sempre usou, mesmo quando nós nem estávamos aqui para constatar isso. A criança enfim suspirou: ta bom, acho que entendi! Vou ali apanhar aquela manga que está no chão e que sempre cai quando está madura, como manda a lei. Vou tirar sua casca e jogar fora para que sirva de alimento para os fungos, como manda a lei. Vou mastigar cada pedaço como sempre fiz e como manda a lei, Depois vou jogar o caroço fora para que outra mangueira possa nascer de novo, como manda a lei. Depois eu devo voltar para casa e dormir quando chegar a noite, como manda a lei. Acho que a partir de amanhã, quando acordar – como manda a lei - e vou tentar ver o mundo de um modo diferente. Ser menos arrogante e radical, reconhecendo que nós seremos – eternamente – dependente dessas leis, mesmo com todo o aparato tecnológico que possamos inventar. As leis não mudarão. Podemos ser felizes “dentro dos limites das leis da natureza”. Isso não nos é negado ! Mas precisamos respeitá-los, como manda a lei ...
Os olhos são as janelas de ver o mundo, mas eles podem também nos mostrar detalhes que somente um coração atento percebe e sente.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
sábado, 1 de janeiro de 2011
A sensata e necessária transformação
Roberto Rocha
Um sábio pergunta ao outro: o que é insegurança? Ao que o outro responde: insegurança é a sensação de não ser nada, de não acreditar em nada e de não confiar em nada. O nada é insegurança! E por que existe o nada? Insistiu o primeiro. O segundo disse: o nada existe porque o tudo é um privilégio para poucos que não desejam dividi-lo. Ainda o primeiro: o que é dividir? O segundo: dividir é não ser dono do todo. É cooperar na produção e colher os frutos do trabalho sem pensar no lucro, mas apenas na satisfação. Desculpe, o sábio disse: o que é satisfação? Meu caro amigo, satisfação é estar bem consigo mesmo, isto é, estar bem com o estômago, com a cabeça e com os músculos. Não há como ser feliz se o estômago ronca, se a cabeça dói e os músculos estão emperrados. Incrível! Exclamou o sábio perguntador. Eu tenho pensado muitas coisas mas nunca imaginei algo tão fácil de compreender. Sim, o outro sábio confirmou: as melhores soluções são as mais simples. São aquelas que transformam problemas complexos em soluções óbvias. É muito difícil perceber o óbvio. As respostas são tão claras que muitos não conseguem vê-las; outros, desconfiam delas. Desejam algo desafiador e quase impossível de se atingir. Que custe muito dinheiro e ocupe a todos em suas desnecessárias tarefas supervalorizadas. O irmão sábio ainda não estava satisfeito e convencido, e continuou: e as diferenças entre os homens? E o poder? E o ódio? Meu bom irmão e sábio, disse: as diferenças acabam quando todos são tratados da mesma forma e com respeito. O poder não deixará de existir nunca, mas deve ser uma força do bem, dentro de cada um e não uma “exibição de bens”. O ódio é um espaço fechado e desajustado aonde o amor ainda não chegou. Isso significa que ele não é eterno. É uma questão que depende do desejar e do permitir, com o coração puro e desarmado. O sábio olhou distante como se estivesse procurando uma pergunta final e desabafou: mas como transformar tudo isso em realidade? O outro também olhou para o horizonte. Depois, fitou longamente o amigo e disse: faça isso a cada dia, em todas as oportunidades que surgirem em sua vida. De repente, você se dará conta que fazer o bem se torna um hábito sadio e necessário. Você se sentirá feliz em ver outras pessoas felizes e outras pessoas farão você feliz também, porque elas estarão fazendo o mesmo com você. E então, você não lembrará mais da insegurança, do ódio ou da indiferença. O poder vai continuar a reinar, mas não para encher os seus cofres. Existirá para encher o seu coração...
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
As feridas, os perdões, as cores e as nossas vidas

Não toque nas feridas !
Elas podem estar ainda muito doloridas.
Deixe que o tempo faça a sua parte.
É como um grande quadro a ser finalizado.
Não nasce de repente, pode levar anos...
Uma verdadeira obra de arte.
Cada cor, na ponta do pincel,
Trás uma marca; um significado...
Nossas palavras e atos agem da mesma forma.
Que sentimentos estão nas expressões de um ser?
Que intenções? Que sonhos? Que promessas?
E o corte, vai se aprofundando: o sangue jorra....
As cores vão se acentuando, se definindo...
No corpo, a dor aflora e grita!
Na tela, elas choram, mudas...
Se um quadro triste chorasse, ele não existiria.
Ficaria ali, borrado, cores escorridas...
Às vezes é isso que fazemos das nossas vidas.
Perdoe, seja um grande artista,
Cubra com amor as cicatrizes,
Pinte no seu quadro dias mais felizes.
RRS, 28 dez 2010.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Perdoar: muito mais do que apenas doar

O que cada um é?
Fruto de uma opção,
De formação do caráter,
De convivências boas ou más.
De exemplos distorcidos,
Mal interpretados ?
Enfim, é preciso respeitar o outro,
Em seus erros e acertos,
Em suas escolhas.
Precisamos respeitar os ingênuos,
Os desprendidos,
Os distraídos,
Os displicentes.
Todos fazem parte da sociedade em que vivemos.
Mas existem também os de mau caráter,
Os invejosos,
Os inconformados,
Os renitentes.
Que nesse final de ano,
Todos sejam perdoados,
Por suas incoerências ou exageros impensados.
Afinal, é Natal !
Se Jesus morreu pelos pecados de um mundo inteiro,
Por que não perdoar algum insensato passageiro ...
RRS, 19 dez 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Existir
Roberto Rocha
Certamente nenhuma árvore produzirá bons frutos
se estiver cercada de terra estéril, sedenta e nua.
Nenhum fruto será melhor que outro
Se todos forem iguais.
A diferença é uma necessidade:
surgir de um momento raro,
resultado de um conjunto de fatores e intenções,
indispensáveis e insubstituíveis.
Algo está no ar,
passeia por aí, meio perdido, mas não abandonado;
e, volta e meia, quando encontra uma pousada,
aí descansa e acalma.
E nesse breve momento,
faz acontecer milagres de santos.
E quando acorda, não sabe nem mesmo o que ocorreu;
mas tem certeza que por ali passou um brilho,
por um tubo menor que o da agulha de uma pulga hematófaga.
No entanto, expandindo-se, ilumina o universo!
E Deus vem sempre olhar, tal a intensidade!
E toda vez,
que se depara Ele, com o seu próprio rosto,
lá do outro lado do éter sem fim,
cria sempre novos mundos e novas criaturas.
Por isso é que estamos aqui...
Para continuar o milagre provisório de ser e de existir.
Entre estrelas e sonhos,
por entre risos e lágrimas,
em nosso morrer e em nosso renascer, a cada dia....
Certamente nenhuma árvore produzirá bons frutos
se estiver cercada de terra estéril, sedenta e nua.
Nenhum fruto será melhor que outro
Se todos forem iguais.
A diferença é uma necessidade:
surgir de um momento raro,
resultado de um conjunto de fatores e intenções,
indispensáveis e insubstituíveis.
Algo está no ar,
passeia por aí, meio perdido, mas não abandonado;
e, volta e meia, quando encontra uma pousada,
aí descansa e acalma.
E nesse breve momento,
faz acontecer milagres de santos.
E quando acorda, não sabe nem mesmo o que ocorreu;
mas tem certeza que por ali passou um brilho,
por um tubo menor que o da agulha de uma pulga hematófaga.
No entanto, expandindo-se, ilumina o universo!
E Deus vem sempre olhar, tal a intensidade!
E toda vez,
que se depara Ele, com o seu próprio rosto,
lá do outro lado do éter sem fim,
cria sempre novos mundos e novas criaturas.
Por isso é que estamos aqui...
Para continuar o milagre provisório de ser e de existir.
Entre estrelas e sonhos,
por entre risos e lágrimas,
em nosso morrer e em nosso renascer, a cada dia....
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
O reencontro
Estava eu sozinho no meu canto,
Quando alguem exclamou bem de mansinho:
Há quanto tempo eu não te vejo!
Onde estava voce todo esse tempo?
E eu, sem saber exatamente responder,
Me desculpei: eu estava distraído !
Olhando o mundo sem fim,
Nos sem fins que o mundo tem.
E me dei conta de repente,
Que estava adormecido, semi-anestesiado,
Por ver tantas coisas tristes,
De passagens do passado.
E ainda sonolento, vejo as coisas meio tortas.
Quem sabe eu me acostumo,
Sem ficar tão ofuscado?
Passar da sombra pra luz,
Sempre exige algum cuidado,
De acostumar a retina,
Sem ficar desnorteado.
Encontrar comigo mesmo:
Que prazer inusitado!
Sente aqui por um momento,
Vamos conversar um pouco,
E eu te conto umas histórias
De voce, que eu já conheço.
É questão só de lembrar.
Voce pode me ajudar,
Se esquecer algum pedaço.
Da minha outra metade.
Voce pode acreditar: eu o tenho em bom apreço!
15 dez 2010
Quando alguem exclamou bem de mansinho:
Há quanto tempo eu não te vejo!
Onde estava voce todo esse tempo?
E eu, sem saber exatamente responder,
Me desculpei: eu estava distraído !
Olhando o mundo sem fim,
Nos sem fins que o mundo tem.
E me dei conta de repente,
Que estava adormecido, semi-anestesiado,
Por ver tantas coisas tristes,
De passagens do passado.
E ainda sonolento, vejo as coisas meio tortas.
Quem sabe eu me acostumo,
Sem ficar tão ofuscado?
Passar da sombra pra luz,
Sempre exige algum cuidado,
De acostumar a retina,
Sem ficar desnorteado.
Encontrar comigo mesmo:
Que prazer inusitado!
Sente aqui por um momento,
Vamos conversar um pouco,
E eu te conto umas histórias
De voce, que eu já conheço.
É questão só de lembrar.
Voce pode me ajudar,
Se esquecer algum pedaço.
Da minha outra metade.
Voce pode acreditar: eu o tenho em bom apreço!
15 dez 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
OPÇÕES
Por que cultivar tanta cobrança ?
Melhor rir, cheio de esperança;
Plantar o bem, regar com amor...
Por que viver tão revoltado?
Melhor refletir, respirar fundo;
Dar uma chance a voce mesmo,
E para o mundo...
Porque indiferenças, geram indiferenças!
Desunião, pare desunião!
Fazem nascer milhares de desavenças,
Plantar o bem, regar com amor...
Por que viver tão revoltado?
Melhor refletir, respirar fundo;
Dar uma chance a voce mesmo,
E para o mundo...
Porque indiferenças, geram indiferenças!
Desunião, pare desunião!
Fazem nascer milhares de desavenças,
Que vão desabrochando em nosso coração.
Com nossas lembranças, depois de muitos anos,
Ao ver a nossa cultivada plantação.
Poderemos deixar um mar de lindas flores,
Ou quem sabe, um imenso e estéril campo,
Num grande vazio de insatisfação...
Ao ver a nossa cultivada plantação.
Poderemos deixar um mar de lindas flores,
Ou quem sabe, um imenso e estéril campo,
Num grande vazio de insatisfação...
RRS, 5 nov. 2010
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