sábado, 2 de julho de 2011

Marcas



Com as minhas cores, meus traços,
Fortes, nervosos, emotivos;
Marco tons de sofrimentos,
Multiformas de alegrias.

O que me vem lá de dentro,
Manipulo num pincél...

Ficam ali meus sentimentos,
De muitos anos e dias...

Sentir na pele e no pano,
No papel,
Chorar, sorrir...
Sentir que se está chegando,
E ao mesmo tempo partir.

Nas rugas entrecortadas,
Da minha face curtida,
Estão pintados os quadros,
Que contaram a minha vida...

RRS, mar. 2006





domingo, 12 de junho de 2011

A rosa pudica


E então, estavam juntas algumas rosas, todas entreabertas...
Mas uma delas estava fechada, escondida entre as pétalas,

Tímida, recatada...

E as outras perguntaram: por que estás assim?

Ela disse: estou me sentindo sozinha!
As outras: Como? Estamos todas juntas nesta braçada!
Entre orquídeas e outras flores, todas lindas!

Sei, mas não por muito tempo, exclamou...
Logo vamos nos separar, e cada uma seguirá seu rumo...
Para onde iremos? Será que alguém vai gostar de mim?

A rosa mais bonita falou:
Não sei se por ser mais linda e mais vistosa, farei alguém feliz...
Mas o que importa é que estamos cumprindo a nossa missão.
Aonde quer que estejamos, alguém vai se emocionar!

E nesse momento, vamos estar lá,
Alegres ou tristes.

Mas com certeza, vamos deixar nosso perfume de amor,
E quem sabe as pessoas se sintam mais calmas e acolhidas?...

É esse o nosso papel.
Abra-se! Não se preocupe com o que virá!

Jamais deixe de alentar alguém ou de encantá-las!
A beleza desse ato não está em nós,

Está no que as pessoas vão sentir com a nossa presença...

RRS, 12 jun 2011



























































































































































































domingo, 5 de junho de 2011

Mata




Mata:

Estão querendo matar a mata!


Eliminar uma história evolutiva,


De plantas, de bichos, de genes...



Corta!

Que a mata atrapalha o Grão!

Na sede da imensidão...



Grita!

Que a margem do rio tomba,


Que o olho do topo morre,


Que a encosta inclinada, desce...



Chora!

Que tem gente que ainda zomba!


Que o verde nativo entrava,


Que tudo de fora, cresce...


Pensa!

Nas lembranças do passado,


Da pele vermelha ornada,


Das penas, tintas e cores...


Foge!

Que o bicho corre assustado,


Sem abrigo, esfomeado,


Borboletas sem flores...



Finge!

Que verde é uma coisa só,


Que tudo é só uma coisa,


Que não há diversidade...



Lucra!

Que o momento é agora!


O último, que feche a porta,

Diga adeus,

E vá embora...

RRS, 5 jun 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Olhar



O seu olhar distante,




Entre as distâncias dos olhares,


Guarda saberes e inconstâncias,


Guarda vivências, esperando.


O seu olhar, entre os limites do destino,


Mira um futuro, um norte,


Uma esperança, um mito.


Quem dera todos os olhares puros fossem os olhares do mundo!.



Sem agonias, sem dores e sem grito,


Buscando a paz, o amor e a esperança,


Entre os dedos pequenos de criança.




RRS, 18 maio 2011

sábado, 16 de abril de 2011

Equilíbrio




Desestruturo minha construção de muro,

Desagregando os tijolos do espaço.


Desorganizo minha mente estruturada,

Para arrumar, depois, construjolada.


Pouco me importa a bagunça bagunçada!

Não há lugar algum para mais nada!

Cheia de livros, caixas e documentos...


Talvez sejam assim meus sentimentos,

Com uma grande diferença, veja bem!


Eu mudo de lugar sempre que eu quero,

Minha bagunça geral organizada,

E assim também faço em minha mente:

É uma questão de arrumar a arrumarada.


Os livros, todos eles na estante,

Outros deitados, empilhados, desiguais.


A cabeça, lá em cima, equilibrada;

Ou ao contrário, lá de cima, equilibrando.

E tudo mais, para baixo, arrumado.


Que maravilha tudo isso funcionando,

No caos do mundo, do aprender e do ensinar.

Os livros ficam ali eternamente,

E a eterna mente mudando tudo de lugar.


RRS, 3 abr 2011.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Louvor à ignorância do saber

Ah! Quem dera um dia eu conhecesse
Os segredos escondidos do viver...
Descobrisse a chave que abrisse
A passagem de um para outro ser.
Sem atritos, sem desordens, sofrimentos.
Colecionar apenas belos momentos,
Repetitíveis, com o segredo.
Mas sou um ignorante nato,
Desconectado das coisas do saber;
Que não consegue ler, em cada fato,
Uma mensagem viva, ensinamentos.
E assim, sigo animalisado,
Grotesco, mal educado.
Fruto do meu meio, do comum.
Mas quer saber: acho que me acostumei a viver assim.
Todos por aqui, fazem a mesma coisa!
Quase ninguém me nota!
E também não falam mal de mim...
RRS, 9 mar 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

Sem graça

Porque um dia perdi a graça de ser alguém,
Porque alguém me convenceu que eu era ninguém,
Até porque não tinha ninguém
Para dizer que eu seria alguém,

Me tornei um desgraçado!

Pelos cantos fedorentos e sem graça,
Vou enchendo meu cérebro de suspiros.
Não exatamente os da padaria;
São mais profundos, tonteiam.

Aqui e ali, esqueço o dia.

Do chão, esticado, vejo a luz me incomodando.
Cubro o rosto, envergonhado.
Fico meio sem graça, desgraçado.
Eu durmo, todo dia, de cansado!
De fraqueza, desamparado.

Eu, às vezes, até tento; mas não consigo rir!
Vi um palhaço fazendo palhaçadas!
Uns panos coloridos, se movimentando,
Uma cara pintada me gesticulando.
E eu, desesperado, procurando a graça.

Procurando, procurando, procurando.

Mas outras crianças estavam lá, rindo!
Pareciam estar se divertindo;

E eu sem graça, sem graça, sem graça.

Quando será que a minha graça vai voltar?
Brincar de novo na antiga praça!
É muito triste uma criança não brincar.
Olhar perdido,

Sem graça, sem graça, sem graça...

RRS, 4 mar. 2011.