domingo, 14 de agosto de 2011

Estudos anatômicos


Entre membros cortados, restos de tripas,
Sobre o peito vermelho ainda arfante,
Um corajoso ergue a espada !

Aos olhos dos cavalos, enfurecidos,
Que sangram, entre cortes e gritos,
A violência dos embates de campo,
Revela interiores protegidos,
Pela pele, sobre a musculatura farta.


Na borda da arena agitada,
A multidão libera seus recalques,
Das cobardias, dos impostos, da revolta.


Nos espetáculos circenses e nas guerras,
Nos prazeres de vencer um oponente,
Mais do que viver ou do poder,
Do ventre aberto de um homem agoniado,
 Nobre Galeno, quem diria !
Também se conquista a anatomia...

RRS, 14 ago. 2011.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Muito além



Um dia, Alguém pensou com amor...

E tão intenso foi o pensamento,
Que viajou no espaço, pulverizado.

Coloridos fogos, cheios de energia.
Evoluiram em mundos através de coisas;
Sem o tempo limitador, aprisionante.

Um dia: o que seria um dia?
Alguém desejou o bem...
E tudo, muito mais se organizou.

E hoje: o que seria o hoje?
Cada um de nós é uma centelha:
Dessas partículas, de intenções, de formas.

Vibrando no que chamamos ser a Terra,
Segue o homem, curioso, extasiado,
Querendo entender nosso passado...

Mas a resposta pode estar muito distante !
Indescritível, inusitada, inalcançável !

Além do além: do que  julgamos ser sagrado...

RRS, 7 ago. 2011
  

sábado, 2 de julho de 2011

Marcas



Com as minhas cores, meus traços,
Fortes, nervosos, emotivos;
Marco tons de sofrimentos,
Multiformas de alegrias.

O que me vem lá de dentro,
Manipulo num pincél...

Ficam ali meus sentimentos,
De muitos anos e dias...

Sentir na pele e no pano,
No papel,
Chorar, sorrir...
Sentir que se está chegando,
E ao mesmo tempo partir.

Nas rugas entrecortadas,
Da minha face curtida,
Estão pintados os quadros,
Que contaram a minha vida...

RRS, mar. 2006





domingo, 12 de junho de 2011

A rosa pudica


E então, estavam juntas algumas rosas, todas entreabertas...
Mas uma delas estava fechada, escondida entre as pétalas,

Tímida, recatada...

E as outras perguntaram: por que estás assim?

Ela disse: estou me sentindo sozinha!
As outras: Como? Estamos todas juntas nesta braçada!
Entre orquídeas e outras flores, todas lindas!

Sei, mas não por muito tempo, exclamou...
Logo vamos nos separar, e cada uma seguirá seu rumo...
Para onde iremos? Será que alguém vai gostar de mim?

A rosa mais bonita falou:
Não sei se por ser mais linda e mais vistosa, farei alguém feliz...
Mas o que importa é que estamos cumprindo a nossa missão.
Aonde quer que estejamos, alguém vai se emocionar!

E nesse momento, vamos estar lá,
Alegres ou tristes.

Mas com certeza, vamos deixar nosso perfume de amor,
E quem sabe as pessoas se sintam mais calmas e acolhidas?...

É esse o nosso papel.
Abra-se! Não se preocupe com o que virá!

Jamais deixe de alentar alguém ou de encantá-las!
A beleza desse ato não está em nós,

Está no que as pessoas vão sentir com a nossa presença...

RRS, 12 jun 2011



























































































































































































domingo, 5 de junho de 2011

Mata




Mata:

Estão querendo matar a mata!


Eliminar uma história evolutiva,


De plantas, de bichos, de genes...



Corta!

Que a mata atrapalha o Grão!

Na sede da imensidão...



Grita!

Que a margem do rio tomba,


Que o olho do topo morre,


Que a encosta inclinada, desce...



Chora!

Que tem gente que ainda zomba!


Que o verde nativo entrava,


Que tudo de fora, cresce...


Pensa!

Nas lembranças do passado,


Da pele vermelha ornada,


Das penas, tintas e cores...


Foge!

Que o bicho corre assustado,


Sem abrigo, esfomeado,


Borboletas sem flores...



Finge!

Que verde é uma coisa só,


Que tudo é só uma coisa,


Que não há diversidade...



Lucra!

Que o momento é agora!


O último, que feche a porta,

Diga adeus,

E vá embora...

RRS, 5 jun 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Olhar



O seu olhar distante,




Entre as distâncias dos olhares,


Guarda saberes e inconstâncias,


Guarda vivências, esperando.


O seu olhar, entre os limites do destino,


Mira um futuro, um norte,


Uma esperança, um mito.


Quem dera todos os olhares puros fossem os olhares do mundo!.



Sem agonias, sem dores e sem grito,


Buscando a paz, o amor e a esperança,


Entre os dedos pequenos de criança.




RRS, 18 maio 2011

sábado, 16 de abril de 2011

Equilíbrio




Desestruturo minha construção de muro,

Desagregando os tijolos do espaço.


Desorganizo minha mente estruturada,

Para arrumar, depois, construjolada.


Pouco me importa a bagunça bagunçada!

Não há lugar algum para mais nada!

Cheia de livros, caixas e documentos...


Talvez sejam assim meus sentimentos,

Com uma grande diferença, veja bem!


Eu mudo de lugar sempre que eu quero,

Minha bagunça geral organizada,

E assim também faço em minha mente:

É uma questão de arrumar a arrumarada.


Os livros, todos eles na estante,

Outros deitados, empilhados, desiguais.


A cabeça, lá em cima, equilibrada;

Ou ao contrário, lá de cima, equilibrando.

E tudo mais, para baixo, arrumado.


Que maravilha tudo isso funcionando,

No caos do mundo, do aprender e do ensinar.

Os livros ficam ali eternamente,

E a eterna mente mudando tudo de lugar.


RRS, 3 abr 2011.