segunda-feira, 6 de abril de 2020

Uma meia, eu e meu pé esquerdo.




E, sozinhos na noite, estávamos nós.

Ela perdida; eu desnorteado, tateando aqui e ali.

Como encontrá-la na solidão, mal encoberto?

O abrigo! Onde está o abrigo?  Onde está o calor?

Estará no entorno?

Tentar encontrá-la no frio, desagasalhado?

 Tremer um pouco?

Se deparar com o outro em meio ao inesperado?

E assim, na mesma cama, continuávamos sós.
Ela, sem ninguém.
E eu, com ele, entre os lençóis.
Ela, meia desparelhada.

Eu, corpo desnudado.

Ele, pé desamparado.

(RRS, 22 ago/2019)

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