sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Eu, quântico.



Quisera eu, beijar o Sol ardente,
E nele, me queimar com seu calor.

Me misturar com seus gases explosivos;
Me explodir para o universo infinito;
Me cintilar em mil riscados festivos;
Não escutar nem mesmo o meu próprio grito.

Quisera eu, qual um noivo apaixonado,
Me enredar no teu presente, enlouquecido.
Me confundir com o teu corpo; e confundido,
Não encontrar mais em mim, minha unidade.

Sou universo, brincando de saltos quânticos,
Me divertindo em momentos de alegria,
Energizado com meus átomos românticos,
Eu faço mágicas com arte e bruxaria.

Ouço a mim mesmo, mas não ouço o meu ego.
Me aprisiona, me tolhe, ele me cerceia!
Não me deixa ser eu mesmo, eu comigo!
Quer meu controle, meu destino e meu futuro...
Quer incerteza, insegurança, indecisão.

Mas meu lugar é aqui mesmo, sem tristeza.
No meu espaço, onde estou sempre seguro.
Com muita luz a me orientar no escuro.
Cheio de cores, resplendores e beleza.

(RRS, 17 fev. 2017).